Brasil mira feito inédito e busca terceira indicação consecutiva ao Oscar internacional
Depois do desempenho de “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto”, cinema brasileiro tenta manter presença entre os grandes destaques de Hollywood e alcançar uma sequência jamais registrada na história do país
O cinema brasileiro pode estar diante de uma oportunidade histórica. Depois de conseguir projeção internacional com “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, e “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, o país volta suas atenções para a possibilidade de conquistar, pela terceira vez consecutiva, uma vaga entre os cinco indicados ao Oscar de Melhor Filme Internacional.
Caso um novo longa-metragem nacional alcance a lista final da 99ª edição da premiação, o Brasil estabelecerá uma sequência inédita em sua trajetória cinematográfica. O desafio, porém, é considerado difícil, principalmente diante da forte concorrência internacional e da necessidade de construir uma campanha capaz de ganhar espaço entre os votantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.
O momento recente do cinema brasileiro aumentou as expectativas. “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto” conseguiram ultrapassar a disputa restrita ao cinema internacional e também foram reconhecidos na principal categoria da premiação, a de Melhor Filme, concorrendo diretamente com produções norte-americanas e europeias.
O desempenho de “Ainda Estou Aqui” ganhou importância ainda maior ao garantir uma conquista histórica para o país. O filme dirigido por Walter Salles colocou o Brasil em uma posição inédita no Oscar e ampliou a visibilidade internacional da produção cinematográfica nacional.
Terceira indicação seria inédita
Manter esse ritmo, entretanto, representa um desafio considerável.
O produtor Rodrigo Teixeira, que participou da trajetória internacional de “Ainda Estou Aqui”, já havia demonstrado cautela em relação às possibilidades de uma terceira indicação consecutiva.
Durante a Mostra de Cinema de Tiradentes, Teixeira avaliou que as chances de o Brasil repetir o desempenho pelo terceiro ano seguido eram bastante reduzidas. A avaliação refletia a dificuldade de sustentar uma sequência dessa dimensão numa categoria que reúne produções de dezenas de países.
Mais recentemente, durante um encontro com jornalistas no Festival de Cinema de Gramado, o produtor apresentou uma avaliação menos categórica, indicando que o cenário pode estar mais aberto do que inicialmente parecia.
Corrida exige mais do que um bom filme
A disputa pelo Oscar internacional envolve um processo que começa muito antes da cerimônia. Cada país precisa escolher o longa que representará sua cinematografia e, a partir daí, inicia-se uma corrida por visibilidade junto aos integrantes da Academia.
Além da qualidade artística, fatores como circulação em festivais internacionais, recepção crítica, distribuição nos Estados Unidos e capacidade de promover a produção durante a temporada de prémios podem influenciar o desempenho de um candidato.
Para o Brasil, a sequência recente representa também uma oportunidade de consolidar uma nova fase de reconhecimento internacional.
O cinema nacional possui uma longa trajetória de presença em festivais e premiações estrangeiras, mas conquistar três indicações consecutivas ao Oscar de Melhor Filme Internacional colocaria o país em um patamar inédito dentro da própria história da premiação.
O caminho até a lista dos cinco finalistas ainda é longo. Antes disso, produções de diferentes partes do mundo disputarão espaço e atenção em uma das categorias mais competitivas da Academia.
Mesmo diante de um cenário considerado difícil, a possibilidade permanece aberta. Depois de duas temporadas de forte presença brasileira em Hollywood, uma terceira indicação consecutiva deixaria de representar apenas o sucesso isolado de um filme e passaria a sinalizar algo maior: uma sequência histórica para o cinema brasileiro no principal palco da indústria cinematográfica mundial.